“Qual é a sensação de voltar a escrever?”

Imagem de coffee, book, and apple

Não direi que é bom. É como quando fico sem café: me dá uma dor de cabeça se fico muito tempo sem, mas quando bebo, quero litros sem fim. Escrever é um vício. Você acaba criando uma dependência, fica na fissura em escrever alguma coisa. E quando se tenta uma “rehab”, fica com abstinência, parece que TUDO que você escreve merece ser postado num blog, exposto numa Feira Literária, entrar em um livro e servir de inspiração para o Jhon Green… Mas quando você relê, percebe que na verdade era só uma lista de compras. Descobri que eu não sei ficar longe dos meus instrumentos de escrita e prefiro os mais antiquados, por assim dizer. Eu aprendo escrevendo, me expresso melhor através de um texto e organizo minhas vidas (acadêmica, financeira, pessoal…) por meio das palavras. É um antídoto e veneno no mesmo pote. Me cura e me adoece. É como uma paixão que te incendeia quando está perto, você se sente possuído por ela, sem controle de si, fazendo exatamente tudo e qualquer coisa por ela… Porém, quando ela se vai, você se sente sem alma, seco, como se a única coisa que soubesse fazer era responder as vontades dela e, agora que ela está longe, você se sente inútil. Mas fico feliz em voltar a escrever. Estou preenchida de novo. Revigorada.

Grata a todos que me leem 🙂

Como seguir a vida apesar da própria vida

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Andei pensando em desistir de tudo. Mas descobri que se eu fizesse isso, ficaria atoa, como um vegetal, sugando recursos do mundo e ficando ali. Não consegui me imaginar fazendo isso, mas ao invés de ir lá, quebrar a cara e seguir com a cara sangrando mesmo, resolvi ir, porém, caso quebre minha cara, dou um tempo e depois continuo.

Descobri que isso é o meu jeito certo de fazer as coisas.

Quando estava nessa busca inconstante sobre ~como seguir com a vida apesar da própria vida~, me aconselharam vários e vários modos: “se der medo, vai com medo mesmo”, “siga seu coração apesar de tudo” ou “só vai¹”, “a razão nunca erra” ou “só vai²”.

Não, não vai não. Primeiro todo ser humano deveria saber que o que funciona pro outro, nem sempre (deveria escrever nunca ou quase nunca) funciona pra você. Todos  nós somos casos especiais nesse mundo redondo e temos que lidar com isso. Poderia ser tão fácil como ouvir as burradas do seu amigo e aprender com elas? Poderia. Mas a vida não quis. Então não faça isso.

Depois, acho que essa coisa de autoconhecimento é a coisa mais linda, útil e satisfatória do mundo. Claro, não acredito que o ser humano – ou eu, pelo menos – encontrarão todas as respostas para as suas perguntas, mas é um caminho divertido no qual você pode errar sem culpa, afinal, você está ~descobrindo~ que é sinônimo de ~aprendendo~.

Outra coisa que andei aprendendo: não leve as coisas, ~a vida~ ou a si mesmo tão a sério. Você só tende a se irritar com isso ou adquirindo as doenças dos três tempos: depressão (passado), estresse (presente) e ansiedade (futuro). Claro que isso não te garantirá a imunidade a elas, já que basta estarmos vivos para adquiri-las. Mas é uma forma de evitá-las.

E é só isso mesmo. Vai viver. Ou não.

 

coisas sérias

large.jpgcomo sabes, eu sou um fracasso na hora de falar coisas sérias ou agir sobre coisas sérias. coisas sérias são melhores ditas por mim por meio de um texto ou qualquer coisa, contanto que eu escreva. você me faz bem, inegável isso. porém, me faz bem quando quer e quando não quer, não faz nada além de me deixar muito mal. e as vezes eu me esqueço que o mundo não é comandado pelas suas vontades infantis e egoístas. eu sei que as vezes a gente não está com saco pra nada, mas quando é comigo eu arrumo um pinguinho de paciência e tempo pra ouvir você falando sobre qualquer coisa. acho que a gente tem sim que saber cuidar das pessoas e isso eu te garanto que eu sei, mas descobri recentemente que ser a mãezona de todo mundo não dá certo, porque acaba que eu cuido de todos e estou ali pra todo mundo mas o mundo se esquece de mim e eu acabo por fazer isso também. estou magoada, profundamente, coisa que é muito difícil, porque eu perdoo fácil. mas dessa vez, acho que o corte foi tão fundo que finalmente cutucou meu coração trouxa e o fez querer enrolar os papéis que ele faz. e se até meu coração, meu corpo, meu cérebro cansaram, porque diabos eu ainda insisto em alguém que não se importa? por isso, desisti. e não vai ser fácil a recuperação, se quiser saber. não é só falar que “sente muito” mas também não é tão fácil quanto “o que eu posso fazer?”. eu não sei, descobre. tenta pelo menos uma vez correr atrás de algo sem que isso seja dado na tua mão. porque o mundo não gira em torno da gente, a gente tem que correr muito pra acompanhar o ritmo dele, amigo.

(texto escrito em um Dia Picles, não é baseado em fatos reais, obrigada)

Mais um, por favor.

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Mais um shot de tequila. O jazz já se ouve baixinho, quando a música está prestes a acabar, e vai se perdendo num interminável “ba tum ts”. Droga.

Coloco a mesma música novamente. E sou tragada de novo pra maré de lembranças em que insisto me afogar. Cadê meu colete salva-vidas quando se precisa de um?

Você. Era tudo o que me vinha na cabeça. Aliás, o que costumava ser.

Depois desse ano tudo mudou, nós, as nossas vidas, nossos destinos… Porém não pensei que seria assim tão drástico e duro e rápido, como foi. Você deu a entender que tudo bem, que sabia que ia acontecer de qualquer jeito, então porque não encarar logo de uma vez? Pra mim foi… bem. Sou acostumada a pessoas que pelo menos enrolam, que marcam encontros sem nem falar data ou hora ou lugar, esses encontros que ficam só na promessa, como que para relembrar que “talvez um dia”, que “sim, eu lembro de três anos atrás” ou até “você costumava ser meu amigo”.

Acho que é por isso que nos tornamos tão próximos. Sempre foi essa coisa na lata. E se continuamos até aqui era porque isso que tínhamos era/é verdadeiro.

Lembro daquele dia, tomei meu primeiro shot de tequila na raça, junto contigo. Tocou a nossa música e dançamos na chuva. Você me fez rir. Foi uma bela despedia, admito. A mais bela que eu poderia imaginar, mas também a mais real. Não teve beijinhos de despedidas ou promessas para uma nova era. Era um grande, enorme, reluzente talvez. Sim, poderíamos nos esbarrar qualquer hora. Sim, podíamos marcar de almoçar (com datas e horários) e quem sabe acontecesse mesmo.

Mas sabíamos, naquele dia, que aquilo era a conclusão de um ciclo. E nós, naquele final e nesse início de algo, não existe mais. Nós fomos. Apenas.

Você se lembrará de mim, tenho certeza disso, afinal me confessou, bêbado, que nunca se esqueceu. Nem mesmo quando ficamos um mês sem nos falar… Ah, corrigindo-me, três semanas (e me parece que contou todas elas). Acredito em todas as suas palavras daquela noite porque bêbados não mentem. É culpa da tequila, amigo, não se preocupe.

Mais uma, por favor. Coloque a música de novo?

Extraordinário

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Extraordinário, realmente é esse o título perfeito para o próprio. Nenhum título combinou tanto assim com um livro, a minha humilde opinião.

Alguém me disse um dia que quando as pessoas choram vendo um filme, música, texto ou algo do tipo, não costuma ser só por uma simples emoção. As vezes o filme, a data, essas coisas conseguem traduzir o que sentimos de uma maneira tão profunda que nem dá pra explicar.

Ou, por causa da emoção, por menos que ela seja, isso acaba funcionando como um botão para nossos sentimentos escaparem. Como se fosse a gota que faltava pra fazer transbordar. De acordo com Aristóteles, o teatro tinha para o ser humano a capacidade de libertação, pois quando via as paixões representadas, conseguia se libertar delas.

Catarse então era o estado de purificação da alma, experimentada pela plateia através das diversas emoções transmitidas no drama. Usaremos o meu segundo exemplo (do parágrafo que começa com “ou”), para falar o que esse livro foi pra mim. Ele foi minha catarse. E com certeza o motivo de ele ter feito tanto sucesso na época é que ele foi uma catarse pra muita gente por aí.

Extraordinário é lindo e incrível. É uma história que você se identifica porque todo mundo já sofreu com os efeitos de uma escola nova, todos já quiseram ser outra pessoa ou mudaram sua imagem pra sempre, todos já quiseram sumir, parar de estudar ou nascer de novo. E é isso que o torna tão delicioso: o livro traduz desejos extraordinariamente comuns.

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Eu já não amo mais você

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Sumiu assim do nada. Eu ficava me sufocando, me perguntando o que eu fiz de errado, “porque, diabos, você não continuou aqui comigo?”. Hoje eu estou bem. Consigo pensar me você sem sentir aquele aperto no peito, sem lágrimas brotarem em meus olhos, sem a dor. É, não dói mais. Eu não sinto nem raiva de você. Só um pouquinho de saudade, mas é normal, já que muitos dos nossos dias foram bons. Mas é só isso, saudade dos dias de sol que aproveitamos, lembranças boas que, sim, guardarei comigo. Agora, te amar? Não, não mais. Acostumei com a falta de você nos meus dias, na minha cabeça, no meu coração. Me acostumei e aceitei que o nosso tempo já tinha acabado. Foi melhor assim. Continuo aqui no mesmo sofá vermelho com almofadas coloridas em que passeinoites me perguntando se o que eu sentia era amor, em que nós assistimos 500 Dias com Ela e não entendemos nada. A diferença é que hoje eu passo as noites em claro estudando ou conversando com minhas amigas e nós, eu e elas, assistimos o mesmo filme esses dias e olha só: eu entendi, afinal.

Sobre: O brilho eterno de uma mente sem lembranças

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Quão feliz é o destino de um inocente sem culpa. O mundo em esquecimento pelo mundo esquecido. Brilho eterno de uma mente sem lembranças. Cada orador aceito e cada desejo renunciado.

Alexander Pope.

Imagine acordar um dia e conhecer alguém que já conheceu? A possibilidade de conseguir apagar alguém da minha cabeça me assusta, mas é bem interessante. No filme Brilho eterno de uma mente sem lembranças, Joel conhece Clementina. Eles se apaixonam, mas depois de um rompimento ou sei lá o que, Clementina decide apagar Joel da memória. E sim, isso é possível graças a um método científico e blábláblá. Quando Joel descobre, decide fazer o mesmo, mas no meio do caminho, descobre que não quer esquecê-la de verdade, que tudo não passou de um mal entendido entre os dois e que ele a ama. Mas é meio impossível de acordar no meio do processo, então ele tenta encaixar as lembranças de Clementina em suas lembranças sem ela, lembranças em que ela nem existia na vida dele ainda. Clementina é uma verdadeira metamorfose ambulante. Tem um jeito explosivo e impulsivo e legal. Joel é o oposto.

Embora diferentes, acredito que o amor possa durar entre os dois. Gosto da possibilidade de apagar algo da memória, como disse. Porque, como dito na frase, seriamos inocentes, isentos de qualquer erro que possamos ter cometido algum dia. Seriamos puros e livres. Mas isso me assusta tanto… Porque ao mesmo tempo que temos lembranças horríveis e assobradas e vergonhosas, elas sempre nos levam ao futuro ou a algo bom. Gostaria de não poder esquecer meu primeiro beijo, algo horroroso (desculpe João, não foi você, fui eu) mas bom. Se eu apagasse isso, teria apagado as memórias seguintes e parte de quem eu sou. Porque isso agora faz parte de mim. Isso agora sou eu.Se apagamos algo do nosso passado, seja o que for, apagamos parte de nós.

Cada passo para frente abandonamos certas coisas, mas não significa que esqueçamos. Não significa que deixou de fazer parte de nós.É, o filme é realmente bom. É lindo, inspirador e vale a pena ficar morrendo de fome (porque é aquelas fomes de madrugada sabe? que você sabe que tá muito tarde pra comer então toma água até morrer) e acordada até as duas da manhã.Fui porque tô morrendo de sono (FOOOOOOOMEE)

.*P.s.: Me paga por isso João.

**P.s.: Aliás, estamos quites, pelo lance do beijo

lçoijhu